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Certificação LEED

O ano foi o segundo melhor na história da certificação no Brasil.

Enquanto a economia nacional atravessa um período de retração, o mercado da construção sustentável comemora um bom momento. De acordo com dados divulgados pelo GBC Brasil, no primeiro quadrimestre de 2016 foram registrados 73 novos projetos com a certificação LEED - Leadership in Energy and Environmental Design - e oito com o Referencial GBC Brasil Casa.

Os números representam o segundo melhor desempenho das certificação em um começo de ano no país, ficando atrás apenas de 2012, quando 90 empreendimentos solicitaram os selos entre janeiro e abril. “O crescimento durante essa fase de dificuldades comprova o sucesso e a expansão do movimento sustentável, que tem na ferramenta de certificação ação um dos veículos para a transformação da indústria da construção”, destaca Felipe Faria, diretor do Green Building Council Brasil (GBC).

 

PROCESSO DE CERTIFICAÇÃO

O profissional explica que os projetos de obras ou reformas são registrados ainda em fase inicial.

Na sequência, o processo de obtenção do selo acompanhará toda a conceituação e a execução do projeto, julgando em favor ou não da certificação da edificação apenas no momento de sua entrega e no início de sua ocupação. Entre janeiro e maio de 2016 foram 81 registros, sendo que oito são para o Referencial GBC Brasil

 

Casa – certificação imóveis unifamiliares, prédios residenciais e loteamentos – e os demais para o LEED. O selo internacional está sendo solicitado, principalmente, por plantas industriais, centros de distribuição e logística, lojas de varejo e escritórios comerciais na ferramenta LEED for Commercial Interiors.

Os fornecedores de materiais e prestadores de serviços podem avaliar o recorde na quantidade de registros de maneira positiva, pois essas construções estão à procura de soluções alinhadas com os desafios técnicos e metas de desempenho requisitadas pela certificação. “Aos incorporadores e investidores também cabe a leitura de que seus futuros empreendimentos deverão estar adequados aos conceitos de sustainable site, eficiência energética, uso eficiente de água e bem-estar dos ocupantes”, complementa.

 

EXPANSÃO

Segundo Faria, atualmente é possível afirmar que há um célere processo de maturidade e consolidação das práticas e conceitos da construção sustentável junto aos principais stakeholders do setor. “Os registros e projetos que esbanjam experiência em matéria de green building estão localizados em todas as regiões do Brasil, e, desde 2013, vemos uma grande diversidade de tipologias buscando a certificação LEED”, diz.

Antes mais concentrado em obras de edifícios corporativos de alto padrão, o movimento se expandiu, e as certificação ambientais se tornaram realidade em escolas públicas e privadas, creches, museus, estádios de futebol, hotéis, restaurantes, shopping centers, entre diversos outros projetos. Uma das principais razões que justífica a consolidação e expansão da construção sustentável é o entendimento dos benefícios econômicos proporcionados pelos empreendimentos «verdes». Outro importante vetor de transformação que merece destaque é o papel das políticas públicas existentes e em discussão. Em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e demais parceiros, o Ministério do Meio Ambiente atua no desenvolvimento e na promoção de mecanismos financeiros para projetos de eficiência energética em edificações existentes. Já o Ministério do Planejamento passou a obrigar que todas as reformas ou novas contratações de edificações para a administração pública federal recebam a etiqueta Procel Edifica nível A. O poder municipal também desempenha papel importante, com diversas prefeituras discutindo o IPTU Verde, como acontece em São Paulo, onde o prefeito assinou projeto de lei que oferece de 4% a 12% de desconto no IPTU para imóveis certificados.

O avanço da construção sustentável envolve uma ampla rede em que associações de classes, profissionais, ONGs, setores privado e público, a academia e os veículos de comunicação atuam

sinergicamente. “A colaboração é a chave para o sucesso de qualquer movimento de transformação que tenha a sustentabilidade como caminho e a prosperidade como

destino”, ressalta Faria.

 

FUTURO

O GBC Brasil não trabalha com metas imediatas de certificação. “Em nosso planejamento estratégico, o objetivo traçado é o de fechar o ano com 1179 projetos registrados LEED e 50 registros no Referencial GBC Brasil Casa”, informa o profissional. Em relação aos compromissos que a entidade apresentou na Conferência do Clima (COP) em Paris, a intenção para 2020 é a de ter 70 milhões de m2 registrados nos sistemas de certificação, sendo que, hoje, esse número se encontra na casa dos 33 milhões de m2.

As construtoras e incorporadoras se mostram dispostas a investir em projetos alinhados com as práticas e metas sugeridas pela certificação de edifícios sustentáveis. Muitas empresas estão se capacitando e se preparando para aplicar essas práticas em seus futuros empreendimentos. “O ambiente propício ao desenvolvimento desse modelo de negócio pode ser explicado pelo alinhamento entre a redução no uso de recursos naturais, a mitigação de impactos ambientais negativos e a melhoria de qualidade de vida e do bem-estar. A soma dos fatores conduzirá a melhores resultados econômicos desses projetos”, finaliza Faria.